“Tabagismo e mortalidade – além das causas comprovadas”

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Brian D. Carter

O estudo “Smoking and Mortality — Beyond Established Causes”, publicado na edição de fevereiro da New England Journal of Medicine, emerge com um importante questionamento diante do real impacto do tabagismo sobre a mortalidade da população. Apesar de dados recentes indicarem uma estimativa de 480.000 mortes ao ano ligadas ao tabagismo nos Estados Unidos, apenas 21 doenças são formalmente identificadas como causadas pelo tabagismo. Isso suscita uma possível subestimação da carga associada a este, tendo em vista que já foram identificadas associações com diversas outras doenças não elencadas neste grupo.

Diante desse cenário, o grupo do epidemiologista Brian D. Carter desenvolveu um estudo em que foram avaliados 954.029 indivíduos ao longo de 2000 a 2011 a partir de 5 grandes coortes realizadas nos EUA, no entanto, dessa vez avaliando não somente as 21 doenças definidas, mas um total de 52 categorias diferentes. Contemplando com esta nova seleção diferentes cânceres, doenças cardiovasculares, pulmonares, gastrointestinais, renais, endócrinas, mentais e neurológicas. Foram divididos ainda os componentes do estudo em três grupos: aqueles que nunca fumaram, ex-fumantes e o que ainda fumavam durante o período.

Dentre os resultados foi comprovada a correlação entre maior mortalidade pelas diferentes doenças nos pacientes tabagistas, sobretudo aqueles que ainda fumavam. Algumas características particulares também foram identificadas, como o fato de o risco para se desenvolver cirrose independer do tempo que o paciente parou de fumar, assim como a ocorrência de lesão renal e as alterações laboratoriais da alteração de sua função são proporcionais ao número de cigarros/dia. Um aspecto que apresentou notada relevância foi a maior ocorrência de suicídio e acidentes externos no grupo dos tabagistas, remetendo à possibilidade de maior ocorrência de doenças mentais nesses indivíduos conforme alguns estudos já demonstravam. Esses dados demonstram que o impacto do tabagismo é ainda maior do que se era previsto.

Maiores informações estão disponíveis no material na íntegra no New England Journal of Medicine Smoking and Mortality — Beyond Established Causes e através das correspondências respondidas por Brian D. Carter.