“O valor da saúde no final da vida”

Nos últimos anos, o National Institute for Health and Care Excellence (NICE) tem investido no trabalho envolvendo a avaliação de tratamentos que objetivam o prolongamento da vida de pacientes em estágio terminal. Esse modelo de investigação proporciona identificar as intervenções são passiveis de serem implementadas no sistema de saúde.

Diante de algumas destas avaliações emergiram alguns critérios a serem cumpridos para que se cogite o emprego destas terapêuticas, tais como o paciente apresentar uma expectativa de vida inferior a 24 meses, além de evidências de que tratamento proposto de fato estende o tempo de vida do usuário em pelo menos 3 meses, quando comparado aos tratamentos usuais.

A despeito dos avanços obtidos neste campo do conhecimento, ainda é incerto se de fato políticas que contemplem esta população refletem a real preferência da população geral no que se refere à prioridade de intervenção em detrimento de outros grupos de pacientes.

Diante deste questionamento emerge a apresentação de Koonal Shah, entitulada “Valuing Health at the End of Life” com o relato dos métodos e resultados preliminares de sua revisão de literatura acerca da seguinte pergunta: “Do members of the general public wish to place greater weight on a unit of health gain for end of life patients than on that for other types of patients?”

A maioria dos estudos apresentava como abordagem metodológica solicitar aos entrevistados a adotarem a ótica do “gestor”, e seu papel de tomada de decisão, na sociedade em que vivem, ao passo que respondem a perguntas que são tipicamente de interesse de gestores em saúde. Suas respostas deveriam se basear no que lhes é considerado mais apropriado para a sociedade, independente dos entrevistados se beneficiarem ou não de tais decisões.

Três estudos no modelo willingness-to-pay, por sua vez, empregaram uma perspectiva individual ao entrevistado a respeito de sua própria saúde, diante de um cenário de morte iminente. Esta abordagem visa identificar através das preferências identificadas, como guiar a alocação de recursos de forma direcionada à sociedade em questão.

Dos estudos avaliados, a maior partes destes incluiu a idade do paciente no desenho do estudo, sendo que em alguns destes a idade na realidade foi um dos critérios prioritários a serem avaliados. Os pesquisadores procuraram determinar se as preferências relacionadas ao fim de vida seriam influenciados pela idade dos indivíduos. Evidências demonstram que os entrevistados tornam-se menos preocupados com o número de anos de vida restante quando os pacientes em questão são mais idosos.

Revisões acerca das preferências diante de um cenário de gravidade indicam que estes pacientes apresentam maior assertividade diante da tomada de decisão. Identificou-se também uma tendência dos participantes em apresentar maior preocupação com o tratamento dos pacientes com baixa qualidade de vida do que aqueles com reduzida expectativa de vida, mas esses achados não são baseados em estudos que contemplassem ambos estados, tanto simultâneo quanto individualmente.

Emerge diante dessa investigação a necessidade de se desenvolver novos estudos acerca do tema, sobretudo devido ao parco número de estudos que abordam o estado de “preparação” dos pacientes diante de de um quadro de doença em estágio terminal.